Vômito de peixe: sinto o cheiro azedo da palavra de Deus na minha cara.
A tempestade maior é dentro de mim: um verme destrói a cidade e sua gente
e eu não acredito mais em cura, bondade ou alívio.
Tenho sono e durmo engolida de máscara e solidão
enquanto
espero a ânsia do peixe
que me vomitará dos altares e dos templos lavados com cloroquina e
mesquinharia.
O vômito de Deus nos salvará de exegeses podres, gases litúrgicos,
dogmas fedidos, incenso, dízimo, louvor.
Vomitado, o profeta se lambuza na gosma informe de sua teologia,
corta o umbigo
que o ligava ao peixe com os próprios dentes
e, pode ser, que veja o céu, o povo na fila da
vacina e pela primeira vez
se sinta em casa e não queira mais morrer.
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